Encontro

17 Mar 2018

Conheci o projeto no ano de 2013, enquanto ainda estudante de dança no Instituto Federal de Brasília, no I Seminário Centro-Oeste de Dança, Inclusão e Diversidade. Me recordo que fiquei extremamente sensibilizada com a poesia que é o PES e, com o brilho no olhar do diretor, Rafael Tursi, durante a sua fala sobre. Assim, de lá pra cá, foram cinco anos ensaiando um encontro com grupo, acompanhei algumas apresentações de espetáculos e sempre saía transformada da experiência de assistir, em cena, corpos tão diferentes, mas tão verdadeiros e entregues no momento presente, bem como a apreciação, me gerava uma percepção de um fazer artístico muito sensorial e não egóico.
Somente agora, em 2018, pude me fazer presente e acompanhar o grupo. Nosso primeiro encontro foi, de fato, um grande presente. Acredito que eu nunca tivera sido tão bem acolhida em uma sala de ensaio por um grupo de pessoas desconhecidas, até então. As pessoas no PES sorriem com os olhos e os afetos gerados são muito verdadeiros. Dessa primeira experiência, saí com os poros dilatados, uma percepção tão ampliada, de mim e do outro, dos corpos. Ficou muito claro que somos múltiplos, somos singulares, mas todas as nossas diferenças não se tratam de desigualdade. 
Em nossos primeiros experimentos as propostas de pesquisas são geradas a partir de um objeto mediador, já utilizamos: corda, balão e bolinhas de diferentes tamanhos, pesos e texturas. Dessa forma, parte da proposta é a pesquisa em dupla e em algum momento todos os corpos se encontram para algo, seja para mover, seja para pausar ou para nos olharmos e estabelecermos esses primeiros contatos. Nos primeiros encontros, escolhi ouvir o que o outro tinha a me dizer enquanto proposta, visto que não nos conhecíamos em movimento. Eu não desejava propor demais por ansiedade e desperdiçar a possibilidade de descobrirmos juntos que encontro era aquele. Tenho investido em caminhar em um lugar entre a escuta e os estímulos que posso gerar, estar permeável para o que o corpo do outro, as vezes com limitações, gera no encontro da nossa dança. 
Em suma, o grupo propiciou um espaço muito sensível e acolhedor, me sinto pertencente. Percebo que tenho dificuldade em me comunicar com alguns colegas, nem sempre entendo a fala. E é nesse momento que busco outras formas de comunicação, seja pelo olhar, seja pela intenção dos movimentos e, no fim das contas, é dessa forma em todos os lugares, em todas as relações. Precisamos estar disponíveis para que sejam estabelecidos diálogos, conexões profundas e que todo esse sentir flua em dança.

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